Aumentar salários de professores não é solução mágica para a educação

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Escolas particulares pagam 22% menor do que as públicas, mas apresentam resultados melhores nos índices de qualidade.

Uma pesquisa inédita cujos resultados foram divulgados na última semana põe em questão um dos maiores mitos apregoados por sindicatos de professores Brasil afora: o de que os baixos salários dos docentes são a principal razão do mau ensino no país.

O estudo do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) cruzou dados de mais de 2 milhões de professores com base no ano de 2014. Ao contrário do que senso comum pode sugerir, os docentes com os piores salários estão na rede privada: R$ 2.599 em média. Naquele ano, a média na rede federal foi a mais alta, de R$ 7.767 reais. Nas escolas estaduais, o valor foi de R$ 3.476, e, nas municipais, R$ 3.116.

Os dados da pesquisa mostram um panorama a ser melhorado. Apenas um em cada 100 professores brasileiros recebe acima R$3.500 reais, de acordo com o levantamento. Ainda assim, a situação não é de miséria. A média no setor público, em torno de R$ 3.3350, 22% acima das particulares é quase três vezes o valor médio pago a um soldado da Polícia Militar no Brasil.

Os professores merecem uma remuneração digna. Mas não se pode dizer que os baixos salários são a causa do mau desempenho das escolas.

No Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), a média das escolas particulares ao fim do ensino fundamental é de 6 pontos. contra 3,9 das públicas. Ao fim do ensino médio, as particulares têm 5,7 pontos contra 3,4 das públicas. No Enem, alunos das escolas particulares possuem um desempenho aproximadamente 15% acima dos das escolas públicas.

É verdade que estudantes de colégios públicos e particulares têm perfis diferentes, o que provavelmente influencia os índices. As famílias que mandam seus filhos para escolas privadas costumam ter um nível educacional mais elevado, ou, se estão nas faixas de menor escolaridade e renda, valorizam a educação ao ponto de fazer um sacrifício financeiro para manter os filhos fora da rede pública.

Mas, se o ambiente familiar e os incentivos domésticos são o fator determinante, aumentar o salário dos professores da rede pública também não resolveria o problema.

O que parece haver na escola particular, como é comum no setor privado, são incentivos mais claros para os professores. A concorrência do mercado leva essas instituições a buscarem uma gestão eficiente, com pouco desperdício e cobrança de metas. A possibilidade de perder o emprego diante de maus resultados é real, enquanto na rede pública a estabilidade é assegurada exceto em casos extremos.

Os professores de escola pública, entretanto – ao menos os que têm a voz ecoada pelos sindicatos – costumam ser contrários a avaliações individuais e incentivos por desempenho.

Mesmo que não dê a saída definitiva para os péssimos índices das escolas públicas brasileiras, o levantamento do INEP mostra o que não é a solução: apostar todas as fichas no aumento salarial de professores.

 

Gazeta do Povo

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