Porandubas Políticas nº 547

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por Gaudêncio Torquato.

Abro a coluna com uma historinha da Paraíba.

Silêncio, silêncio

Flávio Ribeiro, presidente da Assembleia Legislativa (depois foi governador do Estado), estava irritado com as galerias, que aplaudiram e vaiavam durante um debate entre o deputado comunista Santa Cruz e o udenista Praxedes Pitanga. Tocou a campainha, pediu silêncio, insistiu no pedido e avisou, grave e feroz:

- Se as galerias continuarem a se manifestar, eu evacuo.

Felizmente, as galerias se calaram.

A era Dodge

Raquel Dodge abre um novo tempo na Procuradoria-Geral da República. Será uma era mais focada no equilíbrio, na distensão institucional, o que não significará leniência no cumprimento das funções da PGR. Dodge, ao que sabe, não concordava com o estilo rompante-avassalador de Rodrigo Janot. Vai agir de modo mais harmônico, abrindo diálogo com as esferas política e governativa, analisando com maior profundidade os casos sob sua órbita. E dará força à descentralização das atividades.

Calmaria até certo ponto

É evidente que os tempos de calmaria poderão, eventualmente, desaparecer ante a probabilidade de emergirem novos escândalos, bombas e explosões às voltas da operação Lava Jato. Mas não se pense que a Lava Jato será desativada ou mesmo entrar em ritmo mais lerdo. É certo que as investigações e decisões do Judiciário deverão continuar ao longo do ano eleitoral. E quais seriam as consequências sobre os protagonistas da política?

Impactos eleitorais

Os impactos da operação Lava Jato sobre a política e as eleições começarão com o afastamento de alguns nomes do páreo. Candidatos - proporcionais e majoritários - sairão da corrida, com alguns fechando sua carreira política. Condenações poderão ocorrer às vésperas do pleito, o que elevaria o grau de tensão e a animosidade entre contendores e acusadores/julgadores. Mas algo será muito positivo: teremos uma eleição mais asséptica e menos contaminada pelo vírus da velha política.

Tendências

É bastante provável a hipótese de que a população gostaria de ver o país navegar em águas tranquilas, sem os solavancos desses tempos borrascosos. Desde o mensalão, na era Lula, o país vem atravessando turbulências. A ser verdade, abre-se grande chance para o país acolher um perfil que expresse equilíbrio, harmonia, pacificação. Mas a essa figura se cobrará posição enérgica em relação a atos ilícitos, à corrupção, à bandalheira. Sua missão: pôr ordem na casa, sem estardalhaço. Eis o sentido que deverá nortear as expectativas dos eleitores.

Polarização, sim, com cuidado

Haverá intensa polarização entre alas da direita e grupos da esquerda. Como é sabido, três pessoas de posições radicais, à esquerda, fazem mais barulho que um batalhão de perfis localizados nos espaços centrais e mesmo à direita do arco ideológico. Esses terão de reagir às provocações que, inevitavelmente, surgirão das tubas e das turbas da esquerda. PSOL e PT devem fazer composição, (se não no primeiro turno), provavelmente no segundo, para enfrentar o candidato do centro, que procurará atrair a parceria da direita. A polarização se estabelecerá. É pouco provável que, após a hecatombe do ciclo petista (Lula/Dilma), incluindo os escândalos do mensalão e do petrolão, vejamos um candidato de esquerda chegando ao pódio.

Lindbergh delirando

Lê-se que o senador Lindbergh Farias, do PT, está dizendo que seu partido fará um boicote às eleições, caso Lula seja impedido pela Justiça de ser candidato. Trata-se de bobagem. Ou puro delírio. Basta anotar que, ao não participar do processo eleitoral, o PT estaria assinando seu atestado de óbito. Não seria votado em lugar nenhum. Mas como se sabe que a fala do jovem cacique é lorota, podemos inferir que, na verdade, ele joga com as palavras, fazendo pressão sobre os juízes da segunda instância. Que decidirão sobre o destino de Lula. O fato é que o PT elegerá uma bancada bem menor, algo entre 45 a 50 deputados.

PSOL

O PSOL tem condições de expandir bem sua bancada em 2018. Seus representantes ganham muita visibilidade. Estão sempre na mídia massiva. E o partido tende a abocanhar boa parcela dos eleitores que, até então, têm votado no PT. É até possível que seja um competidor forte na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Alessandro Molon e Chico Alencar são os emblemas do partido.

Partidos do centro

Já os partidos de centro serão beneficiados pelo clima eleitoral de 2018. Puxarão as correntes que evitarão as margens radicais. PMDB, PSDB, PSD E DEM, por suas estruturas mais capilares, tendem a fazer uma boa safra de votos nas regiões mais distantes, onde está sediado o eleitorado tradicional e conservador.

Reversão de expectativas

A reforma política está indo para o brejo. Depois de muitos conchavos, a Comissão Especial que dela tratava chega a final melancólico, reconhecendo que o jacaré virará lagartixa. Há ainda condições de ser aprovada a cláusula de barreira, que imporá uma percentagem mínima de votos em um determinado número de Estados para que um partido político possa existir. E, possivelmente, o fim das coligações proporcionais. Mas o corpo parlamentar não se mostra animado com a possibilidade de fazer vingar já para 2018 esses dois estatutos.

Palocci expulso

Antonio Palocci, que já foi o candidato in pectore de Lula à presidência da República, será expulso do PT. Decisão que não amenizará a situação de Luiz Inácio, às voltas com a Justiça. Palocci se mostra muito auto-confiante. Sua delação premiada, em negociação com o MP, será o ponto final para o futuro de Lula. O ex-todo poderoso ministro da Fazenda certamente deve ter provas sobre o que anda dizendo do ex-presidente da República.

PF x MPF

Na era Dodge, espera-se que as tensões e conflitos entre a Polícia Federal e o Ministério Público sejam amainados. Haverá espaço para uma recíproca colaboração. É o que se espera.

Temer atravessando a barreira

As inferências são praticamente as mesmas entre colunistas e comentaristas: o presidente Michel Temer atravessará mais uma vez a barreira que o ex-procurador Janot construiu contra ele. O STF deve encaminhar para a Câmara a segunda denúncia, mas esta, como a primeira, não será aceita pelos deputados. Infere-se que o presidente terá mais votos favoráveis do que os 263 obtidos por ocasião da votação sobre a primeira denúncia. Como alguns partidos entraram no pacote de Janot, é razoável imaginar que tendem a reforçar sua fortaleza corporativa. E impedir o andamento da denúncia feita pelo ex-procurador.

MPT elimina empregos na crise

O Grupo Guararapes, com matriz em Natal, no Rio Grande do Norte, e dono das Lojas Riachuelo, tem sido o alvo de uma caçada empreendida pelo Ministério Público do Trabalho há quase dez anos, segundo executivos da companhia. Na ação mais recente, a procuradora do MPT, Ileana Mousinho, apontou supostas irregularidades nas facções de costura terceirizadas contratadas pelo grupo e solicita o pagamento de R$ 37 milhões em indenizações. Com isso, a empregabilidade da população está sob ameaça.

"Deixe o ódio de lado e nos deixe trabalhar"

O setor têxtil tem potencial para transformar a realidade socioeconômica do RN, mas encontra no MPT um impeditivo. Flávio Rocha, CEO do Grupo Guararapes, tem usado as redes sociais para esclarecer os fatos e denunciar a procuradora por perseguição. Ileana, segundo Rocha, "envia sistematicamente denúncias infundadas a todas as delegacias do Ministério, com exigências absurdas". O Grupo Guararapes já chegou a empregar 20 mil pessoas, agora são oito mil trabalhadores diretos.

Estado pró-emprego

O empresário não está sozinho na luta pelo emprego potiguar. Autoridades, associações, líderes sindicais e trabalhadores fazem coro por todo Rio Grande do Norte e promovem manifestações contra o Ministério Público do Trabalho e em favor do emprego. Uma grande mobilização está sendo organizada para o próximo dia 21, às 15h30, em frente à sede do Ministério Público do Trabalho, em Natal/RN.

O que está por trás

Esta querela, é forçoso reconhecer, ultrapassa as fronteiras do RN. Trata-se, na verdade, de uma vingança do Ministério Público do Trabalho contra dois instrumentos que acabam de ser aprovados e fazem parte do arsenal da modernização das relações capital-trabalho no Brasil: a reforma trabalhista e a lei da terceirização. O MPT já disse que irá lutar contra essas duas frentes aprovadas no Congresso e sancionadas pelo Executivo. Pelo jeito, não se conformam com a terceirização das atividades meio e fim das empresas. Vai multar, dando vazão a uma estratégia de retaliação e confronto. Até os Tribunais Superiores darem um basta aos impulsos e rompantes do MPT, muito estrago será feito. Ministros do STJ, ministros do STF, até onde o país vai aguentar a guerra que dinossauros querem travar contra a ordem normativa?

Fecho a coluna com uma historinha da Bahia.

Filho inepto

Velhos tempos. Tempos de deboche e criatividade. O deputado Luís Viana Neto estava na tribuna da Câmara:

- Filho e neto de governadores da Bahia...

Lá embaixo, o deputado Francisco Studart (MDB/RJ) gritou:

- Não apoiado!

- Senhor deputado, sou filho e neto de governadores da Bahia.

- Perdão, excelência. Entendi mal. Entendi: "Filho inepto de governadores da Bahia"...

Risadas gerais em plenário.

Porandubas Políticas nº 546

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por Gaudêncio Torquato.

 

Denúncias e canibalização

Freyre com y

Abro a coluna com uma historinha vivida por este consultor.

Idos de 1962, Recife. Os concluintes do científico no Colégio Americano Batista escolheram como paraninfo o sociólogo Gilberto Freyre, que também fizera seus estudos secundários no CAB. Como orador da turma, coordenei a visita à Apipucos para entrega do convite da formatura. Subimos a escadaria da bela mansão e fomos muito bem acolhidos por dona Madalena, a companheira do grande pernambucano. Não faltou o afamado licor de jenipapo, de que tanto falava o escritor. Depois de uns minutos, aparece Gilberto Freyre. Ouviu com atenção os nomes de cada componente da comitiva. Entregue, cerimoniosamente, o convite da formatura. Lá estava escrito: "Ao escritor e sociólogo Gilberto Freire". Pegou o documento, leu o nome do destinatário, mas não abriu o envelope. E foi logo me dizendo:

- Meu filho, meu pai, Alfredo, quando recebia uma correspondência grafada com Freire, sem y, ele não a abria, devolvendo-a com uma mensagem anexada onde se lia:

-Meu Freyre é com y. Por favor, faça a correção e me volte a remeter. Vou aceitar o convite. Mas voltem depois dessa correção.

Ouvimos o puxão de orelha, surpresos, porém agradecidos. Afinal, aceitara o convite, mesmo tendo uma agenda (nacional e internacional) lotada. Uma semana depois, tomamos outro licor. Na companhia do Freyre com y.

(P.S.) Nosso paraninfo fez um dos mais densos discursos que ouvi. Fato ressaltado na mídia. Mesmo tendo "voado" um pouco nas passagens mais filosóficas.

Canibalização

Mais uma denúncia contra Lula veio à tona. Desta feita, uma denúncia de corrupção passiva, ainda do tempo em que era presidente. A questão é: essas denúncias vão surgindo, periodicamente, contra um ou outro personagem. E o leitor acaba se confundindo, não conseguindo diferenciar uma de outra denúncia. Ocorre um processo de canibalização: a última "come" a anterior ou as anteriores, de forma a adensar a capa de sujeira que veste o político. Luiz Inácio já é réu pela 5ª vez. Poucos, muito poucos, conseguem recitar os casos em que ele foi denunciado.

De terço na mão

Este consultor gosta de ver detalhes, essas pequenas coisas que acompanham o cotidiano dos protagonistas da política. Que surpresa verificar, por exemplo, que Joesley Batista, ao ser levado preso para Brasília, levava um terço entre os dedos. Sim, um terço de reza. Não o de contas aritméticas. Quer dizer, o empresário devia aproveitar a aflição para rogar ao céu ou à santa de predileção. Agora, vejam que coisa menos harmônica ou santificada: pensar numa reza contrita de Joesley e reler os termos chulos que usou na conversa com seu assessor, Ricardo Saud, quando disse, por exemplo, que tinha contratado mulher e gay como parte de suas ações "estratégicas". (aspas por conta do consultor)

Ficção

Joesley confessa ter feito contrato fictício com escritório do sócio do advogado José Eduardo Cardozo, Marco Aurélio. A quem repassava somas mensais entre R$ 70 a R$ 80 mil.

Quebra de tijolo

Mais um tijolo caindo no prédio dos Batista, a JBS. A homologação do acordo de leniência do Grupo cai por terra por decisão da Justiça Federal. Efeito dominó.

Aplausos da bolsa?

A Bolsa de Valores ultrapassou a casa dos 74 mil pontos. Analistas fazem conexão da alta com a prisão de Joesley. Será? Se for, significa aplausos do mercado ao ato. Brasil acompanha atento a escalada da Justiça.

E Miller, hein?

O ex-procurador Marcello Miller conseguiu se livrar do pedido de prisão feito pelo PGR Rodrigo Janot. O que não o livrará de eventual condenação mais adiante se for comprovado o favorecimento à JBS ainda na condição de membro do MP. O caso será investigado. Afinal, ele teria orientado ou não Joesley a gravar a conversa com o presidente Temer? Saiu do MP e cumpriu a quarentena para exercer a atividade de advogado do grupo JBS? Essas questões serão analisadas nos próximos dias.

Por quê?

Recebo do grande advogado, mestre dos mestres, Ives Gandra Martins, esta perturbadora pergunta: "Por que a seletividade da prisão de Joesley e não de Marcelo Miller? Será por ser ex-procurador?".

Excesso de confiança

As conversas entre Joesley Batista e Ricardo Saud mostram uma faceta pouco recomendável a um empresário: a maneira debochada com que trata autoridades e instituições; a tendência de igualar todos, sem exceção, jogando-os no meio do conhecido dito: todos são farinha do mesmo saco; a crença no poder do dinheiro, que compra tudo, incluindo o caráter; o uso vexatório (vergonhoso) da Língua Portuguesa, com erros de concordância dos mais primários; a facilidade com que furaram a liturgia do poder, usando, para tanto, o vil metal.

Calmaria e borrascas

Os próximos tempos intermediarão calmarias e borrascas. A calmaria será fruto do grau de previsibilidade que a política sugere, algo sensível às bolsas de valores, cujas altas ocorrem na onda de projeções positivas para as marés da política. Mas como esta gera fatos imponderáveis, é razoável supor que os próximos tempos poderão nos trazer mais borrascas. A calmaria aponta: presidente atravessando a onda de segunda denúncia feita por Janot; continuidade de melhoria dos índices econômicos; continuidade de votação e aprovação da agenda de reformas no Legislativo, entre outras situações. Borrasca: divulgação de novos áudios com fatos "gravíssimos" revelados; delações premiadas de alguns personagens que estão presos.

Palocci e o PT

O ex-ministro Antonio Palocci é "uma das pessoas mais inteligentes do país". Quem disse isso há tempos foi o ex-presidente Lula. Pois bem: agora, para Luiz Inácio e a cúpula do PT, Palocci mentiu em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro. Quem ouviu o testemunho pode atestar: a conversa tinha roteiro, começo, meio e fim; respondeu tranquilamente a todas as perguntas do juiz; não demonstrou nervosismo ou falta de conhecimento de quem poderia estar inventando coisas; enfim, foi convincente. Este depoimento será fatal para o ex-presidente Luiz Inácio. A ser lembrado muitas vezes nos tempos eleitorais que se avizinha.

Reflexão de Chaparro

O prof. Manuel Chaparro, conhecido pela seriedade de suas análises e reflexões, insere em seu blog esta interessante observação: "Ao rotularem Antonio Palocci de "traidor", os partidários de Lula cometem aquilo que nas ciências da linguagem é chamado de ato falho. Chamar Palocci de "traidor" é dar-lhe tratamento e qualificação de cúmplice nos crimes que agora delata. Trata-se, portanto, de um ato falho. E ato falho, nos saberes de Lacan, é discurso veraz, o discurso perfeito. No caso, um discurso que, em vez de desmentir, ratifica a veracidade das revelações. Assino embaixo.

PSDB no governo

Quem apostava na saída dos tucanos do governo pode se conformar com a ideia de que cresce a tendência de ficarem até o final. Depois da escaramuça organizada pelos "cabeças pretas" (os deputados mais jovens), sob certa influência do senador "cabeça branca" Tasso Jereissati, fortalece-se a tese da permanência sob o influxo da melhoria dos índices da economia.

Tática? Conceito do momento

O momento é adequado para se iniciar o planejamento de estratégias e táticas com vistas ao amanhã. Vejamos o que é tática. No futebol, quando o atacante joga a bola para trás, recuando-a para seu próprio campo de defesa, parece realizar um movimento covarde. Às vezes, é apupado. Muitos acham que a jogada não tem lógica. Mas essa bola recuada pode abrir espaços, deslocar o adversário, obrigá-lo a avançar de maneira descuidada e abrir a defesa. Pois bem, tal manobra pode gerar uma sequência de ações que culminarão com um gol. Essa é uma operação também chamada de OP. O gol é uma operação OP, de caráter terminal. E é construído por jogadas intermediárias. A tática é ferramenta de vitória.

Na guerra

"Prepare iscas para atrair o inimigo. Finja desorganização e esmague-o. Se ele está protegido em todos os pontos, esteja preparado para isso. Se ele tem forças superiores, evite-o. Se o seu adversário é de temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranquilo, não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas, separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado". (Sun Tzu)

Mais lições

As lições de táticas e estratégias dos clássicos da política e das guerras parecem não merecer nenhuma consideração por parte de nossos atores políticos, empresariais, policiais e outros que adoram as luzes do palco. Lembremos mais alguns conselhos de Sun Tzu:

a) "Quando em região difícil, não acampe. Em regiões onde se cruzam boas estradas, una-se aos seus aliados. Não se demore em posições perigosamente isoladas. Em situação de cerco, deve recorrer a estratagemas. Numa posição desesperada, deve lutar. Há estradas que não devem ser percorridas e cidades que não devem ser sitiadas".

b) "Não marche, a não ser que veja alguma vantagem; não use suas tropas, a menos que haja alguma coisa a ser ganha; não lute, a menos que a posição seja crítica. Nenhum dirigente deve colocar tropas em campo apenas para satisfazer seu humor; nenhum general deve travar uma batalha apenas para se vangloriar. A ira pode, no devido tempo, transformar-se em alegria; o aborrecimento pode ser seguido de contentamento. Porém, um reino que tenha sido destruído jamais poderá tornar a existir, nem os mortos podem ser ressuscitados".

Marta candidata?

Marta Suplicy pode sair candidata do PMDB em São Paulo. A depender das pesquisas lá para os meados de março/abril. Paulo Skaf deve lutar, e muito, para voltar a ser candidato. Teria a preferência da cúpula do partido. Mas a real politik é quem ditará as conveniências. Marta poderá ter apelo mais forte. Este consultor ouviu de gente influente: a senadora cisca para fora e consegue atrair eleitores. Skaf cisca para dentro e se isola. Só acredita no que a boca fala. Já Marta ouve.

Fecho a coluna com este diálogo.

Pequena aula de política

O dialogo é muito conhecido. Merece ser lembrado pela oportunidade do tema. Diálogo entre Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:

Colbert: Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, senhor superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço.

Mazarino: Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se. Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criando outros.

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível.

Colbert: E sobre os ricos?

Mazarino: Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como faremos?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos. Cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!

Porandubas Políticas nº 545

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Por Gaudêncio Torquato.

 

Abro a coluna com uma historinha de Zeca Boca de Bacia, da Paraíba.

Ficar bom

Zeca Boca de Bacia era a alegria do povo em Campina Grande/PB. Personagem folclórico, amigos de políticos. Dava assessoria informal a Ronaldo Cunha Lima e a seu filho Cássio, prestes a ganhar o mandato de senador. Quando Zeca abria a boca, a galera caía na risada. Certa vez, numa de suas internações na clínica Santa Clara, em Campina Grande, a enfermeira foi logo perguntando:

- Zeca, qual o seu plano (de saúde)?

E ele:

- Ficar bom!

Outra vez, Zeca pegou um táxi em Brasília para ir à casa de Ronaldo Cunha Lima. Em frente à casa do poeta, o taxista cobrou R$ 15. Zeca só tinha R$ 10. Sem acordo, disparou:

- Então, amigo, dê cinco reais de ré!

O bambu flexível

O procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, produziu essa frase que ecoou forte nas entranhas políticas: "enquanto houver bambu, vai ter flecha". Referia-se às flechadas contra o presidente Michel Temer. Pois bem, uma das características do bambu é sua flexibilidade. Não quebra ao vento forte. Curva-se, dobra, vai lá e vem cá, mas não quebra. Não é que uma perigosa flecha de bambu vira bumerangue, voltando-se contra o atirador? As omissões de Joesley Batista na delação que fez à PGR ameaçam revisar ou mesmo anular o destampatório. É o que diz o próprio Janot em tensa entrevista aos meios de comunicação.

O procurador Miller

Pois não é que o ex-procurador Marcelo Miller, braço direito de Janot, estava por trás de toda a armação para gravar a conversa de Joesley com Michel Temer? Pois não é que esse mesmo procurador deixou a PGR para trabalhar como advogado da JBS? Pois não é que as gravações entregues por Joesley à PGR supostamente revelam fatos "gravíssimos" envolvendo Miller e até integrantes do STF? O caso entra na curva e gera uma reviravolta.

Consequências

A Polícia Federal desempenhou tarefa brilhante. Ao pegar as fitas, degravou o que nelas estava apagado. O relatório chegou às mãos do ministro Edson Fachin, que o reenviou à PGR. Tomando conhecimento desse grave fato, o próprio Joesley procurou corrigir a omissão - não ter entregado todo o conjunto das gravações - e mandou as gravações para a PGR. Janot ouviu as conversas que, segundo ele, têm teor "gravíssimo" e sinaliza para a anulação dos benefícios concedidos aos irmãos Batista e ao delator Ricardo Saud, entre outros. Joesley teria feito outras gravações sem saber que as conversas eram gravadas. Poderá ver rompido o escudo em que se abrigou. Observação: o nível das conversas é muito baixo. Choca o imenso desrespeito às instituições.

Frente política

Janot garante que os fatos narrados, mesmo "gravíssimos", não invalidam as provas. Donde surge um contencioso de complexa teia jurídica: como achar que as provas são qualificadas se os delatores são desqualificados? Como considerar que as provas continuam válidas se as operações maquinadas poderão ser consideradas criminosas? O fato é que a delação de Joesley tende a receber forte veto da classe política, inviabilizando impactos que poderiam ocorrer diante de uma segunda denúncia, que cairia certamente nas sombras da suspeição. A impressão é que a casa de Janot desmoronou. Será difícil reconstruí-la rapidamente, antes de 17/9, quando ele deixa a PGR.

A economia

É evidente que uma nova denúncia nas semanas que antecedem a saída de Janot da PGR ganhará fosforescência midiática. Mas a suspeição será fortíssima. A imprensa torce por confusão. A economia, por outro lado, tende a funcionar como colchão de amortecimento de eventual nova denúncia: jornais anunciando fim da recessão, melhoria nos índices de emprego, inflação e juros caindo, confiança de investidores aumentando.

Malas de dinheiro

Mais de 10 malas e caixas com pacotes de notas de R$ 100 e R$ 50. Nunca este consultor viu tanta mala de dinheiro. A PF fez uma blitz em apartamento que, se lê, seria usado por Geddel. Onde isso vai parar, gente?

O vai-e-vem das reformas

A cada semana, as reformas ganham suspiros diferentes: um, de frustração; outro, de alívio. Vejamos a reforma política. Vai ou não vai? Depende. Se for aprovado o fundão - que jorrará dinheiro nas campanhas de 2018 - é possível que vejamos aprovados dois estatutos: o fim das coligações proporcionais e a instalação de cláusula de desempenho. Para complicar, o tempo se estreita. Esta semana da Pátria adia a questão para a outra.

Impedimentos

O que impede a votação de uma reforma política? A vontade da maioria de defender o status quo. Os atuais parlamentares temem perder as condições que têm para enfrentar uma campanha. Com o fim do financiamento empresarial privado, os representantes querem uma compensação. Será difícil, nesse momento, aprovar a volta de doações empresariais. De onde viria o dinheiro de campanha? Resolvida esta questão, seria possível aprovar os estatutos acima citados.

Cláusula de barreira

Os pequenos partidos lutam contra a cláusula de barreira. O relatório da deputada Shéridan (PSDB-RR) prevê o desempenho mínimo de 1,5% dos votos em 9 Estado, chegando a 3% anos depois, lá para 2030. Muito pouco, diz-se. Há emendas que defendem um mínimo de 2,5% de votos em 14 Estados, já em 2018. Quanto às coligações proporcionais, há maior aceitação sobre sua extinção.

Previdência desidratada

Já a reforma da Previdência era um jacaré imenso que, a cada dia, se aproxima do tamanho de uma lagartixa. Se for adiante, poderemos ver uma reforma desidratada, restrita à questão da idade para a aposentadoria (65 anos) para os homens, um pouco menos, (63), para as mulheres e a uma regra de transição, que abrigará os atuais contingentes prestes a completar o tempo atualmente exigido.

O país quebra

Sem as reformas da Previdência e das carreiras do funcionalismo público, o país entrará profundamente no brejo da quebradeira. As despesas obrigatórias irão ultrapassar os 100% do Orçamento já em 2022. As despesas nas frentes dos investimentos, hoje muito pequenas, serão reduzidas gradualmente, passando de 8,2% em 2017 para 2,1% em 2021 e chegando à casa negativa em 2022, quando será de 1,4%. Darão lugar às despesas obrigatórias.

Urgente

Daí a urgência de uma reforma da Previdência. Se a meta for deixada para o próximo presidente, é razoável supor que esse fardo pesará sobre seus ombros, na confirmação da hipótese de que a crise terá continuidade. O futuro seria muito sombrio. O papel do atual presidente é o de abrir o caminho para que o próximo governo navegue com tranquilidade, evitando as borrascas que ameaçam afundar o barco.

Tensão entre Alckmin e Doria

É evidente que o governador Geraldo Alckmin lidera a fila dos pré-candidatos tucanos à presidência em 2018. É forte a ligação entre ele e João Doria. Este consultor tem acompanhado de perto as vidas políticas de ambos e testemunhado o respeito e o carinho que os unem. Mas a política tem regras próprias, entre elas a conveniência, a oportunidade, a noção adequada do tempo. João garante que não disputará prévias com Alckmin. E não o fará. O governador tem preferência na lista do PSDB.

Pesquisas

Mas João Doria nem por isso abandonará a perspectiva de vir a ser candidato à Presidência. Ora, ele tem convite de, pelo menos, quatro partidos, entre os quais o PMDB e o DEM. Tudo vai depender das pesquisas. Se conseguir subir a ponto de ter um bem posicionado índice no ranking - algo entre 12% a 15%, por exemplo - lá pelos meados de março/abril de 2018, e se Alckmin estiver em posição muito abaixo, João, é bem provável, irá adiante. Se Alckmin ganhar números parecidos, João desistiria. Não se descarte a possibilidade de João vir a ser candidato por outra sigla, mesmo que ele se considere tucano de coração. A política é um empreendimento aberto.

O momento

Façamos, agora, outra leitura. Vamos ter na campanha candidatos de campanhas anteriores, entre eles, o próprio Geraldo Alckmin, Marina Silva, Lula ou Fernando Haddad, Bolsonaro, etc. João Doria procura desenhar seu perfil como o anti-Lula, por excelência, sem o viés radical de um Bolsonaro, por exemplo. Que leitura fará o eleitorado?

A imagem de novidade

Um perfil novo, mais asséptico, com fluência, boa estampa. Ou seja, Doria seria um destaque entre os candidatos de jornadas anteriores, já vistas. Com um tempo razoável de TV e rádio e com a capacidade que tem de manobrar nos eixos das mídias sociais, o prefeito de São Paulo teria alta competitividade. Claro, esta é uma leitura de hoje. Amanhã, os tempos poderão ser desfavoráveis a ele. Ou... até mais favoráveis.

Perfis nos Estados

A campanha de 2018 será uma das mais difíceis para candidatos que encarnem a manutenção do status quo e do continuísmo. Estados quebrados, funcionalismo revoltado, serviços precários, principalmente nas áreas de saúde e educação, violência galopante, clima de déjà vue ("já vi e ouvi as falsas promessas") comporão a argamassa conceitual de muitos candidatos. Portanto, novas identidades estarão sendo buscadas pelo eleitor. Exceção: candidatos muito bem (repetimos, muito bem) avaliados pela população. Daí a pergunta: você conhece alguém, caro leitor/eleitor?

Eleitor mais crítico

A cada pleito, a racionalidade cresce na mente do eleitor. E seus efeitos se fazem sentir na crítica mais ácida aos governantes, nas exigências de qualidade dos serviços públicos, nas cobranças e lembranças de promessas não cumpridas. Esse tom mais apurado em relação à política é bem forte nos estratos médios. Que vão empurrando para as margens sua taxa de indignação.

A força do distrito

Mesmo sem a aprovação do voto distrital, é razoável apostar na hipótese de um voto mais local em 2018. Ou seja, candidatos que representem as localidades, bairros e regiões deverão ser bem contemplados, mais que os perfis gerais, aqueles que tendem a ganhar votos em todo o Estado. A distritalização da política é um fenômeno que se consolida na esteira da crise. Os eleitores querem votar em pessoas que conheçam bem, em representantes que defendam as causas de regiões e grupamentos.

Campanhas menos fosforescentes

Já as campanhas eleitorais serão menos fosforescentes: menos cinematográficas, com menos firulas e enfeites midiáticos e mais voltadas para coisas e causas reais, concretas, assimiláveis pelo eleitor. O marketing elevará os discursos e deixará com menor efeito na forma de espetáculo. Menos dinheiro nas campanhas redundará em mais sola de sapato para os candidatos. Pé na rua, mão a mão.

Fusão Time Warner e At&T no Chile

A Fiscalía Nacional Económica do Chile (FNE, o órgão chileno de defesa da concorrência) aprovou a aquisição da Time Warner pela AT&T. "A fusão entre as empresas combinará conteúdo de qualidade e infraestrutura para entrega deste conteúdo no dispositivo que o consumidor escolher", garante David McAtee, vice-presidente executivo sênior e conselheiro geral da AT&T. A FNE aprovou a fusão com condições comportamentais para endereçar questões específicas relacionadas a concorrência identificadas durante a análise da operação.

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A aprovação não exige a venda ou desinvestimento de quaisquer ativos da AT&T ou da Time Warner. Com o aval do Chile, a fusão entre AT&T e Time Warner recebeu aprovação de 17 autoridades de defesa da concorrência que analisaram a transação em todo o mundo. "Ficamos satisfeitos com o cuidadoso trabalho realizado pela FNE para analisar e aprovar essa fusão com base nos seus benefícios para a competição no Chile e, mais importante, para os consumidores chilenos", arremata McAtee. Além dos EUA, só falta o Brasil.

Fecho a coluna com uma historinha do Maranhão.

Por onde começar?

O desembargador Deoclides Mourão, tio do poeta Gerardo Mello Mourão, fez acordo com Urbano Santos para governador do Maranhão. Eleito, Urbano não cumpriu nada. Deoclides Mourão mandou-lhe uma carta:

- Senhor governador, diz o povo que o homem se pega pela palavra, o boi pelo chifre e a vaca pelo rabo. Supondo não ter V. Exa. nenhum desses acessórios, não sei por onde começar.

Porandubas Políticas nº 544

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Mineirice

Abro a coluna com a mineirice em ação.

31 de março de 1964. Benedito Valadares se encontra com José Maria Alkmin e Olavo Drummond no aeroporto de Belo Horizonte:

- Alkmin, para onde você vai?

- Para Brasília.

- Para Brasília, ah, sim, muito bem, para Brasília.

Os três saem andando para o cafezinho, enquanto Benedito cochicha no ouvido de Drummond:

- O Alkmin está dizendo que vai para Brasília para eu pensar que ele vai para o Rio. Mas ele vai mesmo é para Brasília.

Esse tipo de artimanha é chamado de engano de segundo grau. Quer significar: engano meu interlocutor, dizendo-lhe a verdade para tirar proveito da sua desconfiança. Essa malandragem vem de longe. Conta-se que a historinha é judia e expressa com humor o refinamento a que leva o esconderijo de informações.

Um interlocutor encontra-se com outro na rodoviária na antiga União Soviética:

- Para onde o amigo está indo?

- Para Minsk.

- "Quer me enganar, hein? Você quer me fazer acreditar que vai a Minsk para que eu pense que vai a Moscou. Pois bem, acontece que você vai mesmo a Minsk".

Campanha nas ruas

A campanha presidencial de 2018 começa a ganhar as ruas. Deixemos as firulas de lado. O fato é que pré-candidatos ensaiam seus primeiros passos, ao participar de caravanas, fazer viagens pelas regiões, aceitando convites de entidades, mobilizando militância e grupos de simpatizantes, etc.. Nomes aos bois: Lula corre pelos 9 Estados do Nordeste; João Doria recebe títulos de cidadania e homenagens em grandes cidades; Jair Bolsonaro não fica atrás e corre para abraçar correligionários; Geraldo Alckmin, o mais discreto, também se movimenta. Marina, Ciro Gomes estão à espera de convites.

Nos limites da lei?

Afinal, pode-se começar a campanha de 2018 a essa altura? Campanha pedindo votos? Não. Mas campanha disfarçada sob a capa de visita às regiões, conversas com lideranças, encontros com o povo, isso pode. É o que garante a lei e o que dizem os juízes. É evidente que, mesmo não pedindo voto do eleitor, os pré-candidatos fazem campanha. Mostram-se por inteiro, discursam, fazem conclamações ao civismo pátrio, exaltam valores e virtudes da boa política e chegam, até, a fustigar eventuais adversários.

Linha tênue

A linha entre o permissível e o proibido é tênue. Pouco se distingue uma coisa de outra. Visitar regiões, fazer comício em cenas abertas ou fechadas - nas ruas ou em ambientes restritos - significa fazer o principal exercício da atividade eleitoral: apresentar-se à população, expressar ideias e discorrer sobre problemas brasileiros, a partir da análise dos vetores que estão na agenda política: gestão, emprego/desemprego, resgate do poder de compra do consumidor, ética/moral, corrupção, reformas (trabalhista, previdenciária, tributária, política, etc.).

A caravana de Lula

Luiz Inácio decidiu começar pelo Nordeste, a região onde continua a ter grande prestígio. Escolheu cidades grandes e médias para fazer seu périplo. Abriu intensa polêmica entre correligionários e adversários. Passam pelas redes sociais vídeos sobre suas andanças, dando conta de entreveros da caminhada - pequenas plateias, desorganização, etc.. Parcela desse material é fake, ou seja, são vídeos feitos por adversários.

Inversão de discurso

Digamos, porém, que a caravana não repita o sucesso de antigas jornadas. Mesmo assim, a perambulação é importante na estratégia de colocar o bonde nos trilhos. No fundo, Lula está avisando que é candidato. Matreiro como é, inverte os eixos do discurso, escondendo que o descalabro que afundou o país ocorreu nos idos do petismo no poder. Se for candidato, será muito difícil que assegure os 30% (históricos) de intenção de voto do voto do petismo. Na régua de 0 a 100 deste consultor, a chance de ser candidato chega apenas na casa dos 30.

Doria aproveita bem

João Doria também entra na paisagem ao aceitar parte das centenas de convites que lhe chegam. Como é um perfil não tão conhecido, aproveita para se mostrar - com sua densa experiência na vida empresarial, passagens importantes pela administração pública, valores da gestão moderna etc.. João encarna a novidade, um perfil asséptico na política, a estampa que entusiasma grupamentos centrais. Seu desafio é chegar às margens sociais, de forma que a mensagem seja percebida por todo o território. Constrói também parte de sua identidade como o anti-Lula. Prefeito da maior cidade do país, desperta curiosidade. Hoje, chance de João Doria ser candidato pela régua de 0 a 100 deste consultor: 40.

Prévias com Geraldo, não

Mas a candidatura de João Doria pode ficar apenas na intenção de seus simpatizantes. Ele tem dito e repetido a este consultor que não disputará prévias com Geraldo Alckmin, seu amigo e tutor. Hoje, João tem vida própria. Mas respeita o amigo. Não disputará com ele. Geraldo defende as prévias e, segundo os caciques tucanos, a partir de Tasso Jereissati, tem a preferência do partido. Hoje, contaria com a maioria do colégio eleitoral das prévias. Hoje, chance de Geraldo Alckmin ser candidato pela régua de 0 a 100 deste consultor: 60.

A razão de João

Por que, então, João continua a pavimentar caminho em direção ao Planalto? Por confiar no feeling: se as pesquisas derem a ele considerável percentagem de intenção de voto, deixando outro pré-candidato muito atrás (Geraldo, por exemplo), apostará em sua indicação pelo PSDB. Quem sabe, até o próprio Alckmin não faria o gesto de levá-lo até o pódio da candidatura? Em política, tudo é possível. Até mudança de partido.

E o governo de SP?

Essa alternativa é desconsiderada por João Doria. Há outros pré-candidatos, a partir do vice-governador Marcio França, voz forte no PSB, que tentará se viabilizar como candidato em São Paulo com o apoio de Geraldo, e levar, em contrapartida, os socialistas na direção da candidatura do tucano. Os paulistanos, por seu lado, até compreenderiam a saída de João Doria para uma disputa presidencial (a crise do país seria o pano de fundo), mas certamente não gostariam que o prefeito deixasse o cargo para disputar posto mais alto no próprio Estado. Seria oportunismo. Crítica que possivelmente ganharia suavidade no caso da opção pela presidência da República.

Bolsonaro, o discurso radical

Jair Bolsonaro, de seu lado, também se movimenta. Foi ao Nordeste, onde ganhou calorosos aplausos de simpatizantes, sendo recebido de forma entusiástica em aeroportos. Procura radicalizar o discurso, internalizando o sentimento da população que se indigna contra a violência nas ruas. As mortes violentas se expandem. Bolsonaro é a porta de entrada em tempos duros: militarismo nas escolas, nas ruas, guerra total às esquerdas. Não se espere dele, porém, voo longo. Seu teto terá entre 10% a 12% de votos.

Reforma política

A reforma política ameaça gerar uma reversão de expectativas. Pelo andar da carruagem, pouca coisa avançará. E a Câmara, sob a regência de André Fufuca, terá dificuldade de votar temas complicados. Mesmo com Rodrigo Maia exercendo monitoramento, a partir do Palácio do Planalto.

Janot prepara o espetáculo

Rodrigo Janot, sob a fosforescência midiática, prepara os atos finais de sua gestão na PGR. Promete uma 2ª denúncia de peso contra o presidente da República. Que, na visão deste consultor, não terá o impacto da primeira. Janot entra por completo no saguão do Estado-Espetáculo.

Lava Jato nas eleições

A operação Lava Jato driblará as pressões e suas águas correrão agitadas pelas veredas eleitorais de 2018. Vai afinar discursos, adensar críticas contra candidatos, gerar intensos debates. O resultado será um processo de "canibalização recíproca", com as críticas de um lado e de outro se chocando e passando ao eleitor o conceito de que todos os candidatos estão no lamaçal. A conferir.

Tipos de candidatos

1. O continuista - Candidato à reeleição, máquina a serviço da candidatura, cabos eleitorais multiplicados, o continuista poderá ter vantagens sobre adversários, se, claro, houver realizado um bom governo. Particularmente se construiu forte identidade junto à comunidade. E se não tiver contas a pagar na operação Lava Jato. Pontos fortes: assepsia, ações e obras a mostrar. Pontos fracos: governo fraco, mesmice e denúncias de corrupção.

2. O oposicionista - Se encarnar situação de mudança, troca de peças velhas na máquina administrativa, terá sucesso. Para tanto, precisa absorver o espírito da comunidade, interpretar demandas, fazer intenso corpo a corpo, deixar-se mostrar, ganhar confiança do eleitor. Usar bem as redes sociais. Pontos fortes: alternativa à velha ordem; encarnação do espírito do novo. Quando se tratar de perfil já conhecido, todo esforço se fará necessário para vestir o manto da renovação. Pontos fracos: fraca visibilidade; tênues estruturas de apoio; ausência de ideias.

3. A terceira via - O candidato da terceira via tem a vantagem de poder quebrar a polarização entre situação e oposição. Para angariar apoio de todos os lados, carece organizar um discurso moderado, ouvindo todos os segmentos, buscando uma linha intermediária. Demonstrar possuir um grande programa de trabalho. Pontos fortes: bom senso, equilíbrio, experiência, alternativa à polarização acirrada entre grupos, inovação. Ponto fraco: eventual falta de apoio de estruturas e lideranças.

Discurso duro

O desembargador Fábio Prieto, que já presidiu o TRF da 3ª região, tomou posse, sexta-feira passada, no TRE/SP. Fez o mais duro discurso que este consultor já ouviu da boca de um membro do Judiciário sobre os desvios do sistema de Justiça no Brasil. Destaco algumas passagens:

Mazelas

- "O patrimonialismo, o clientelismo, o assembleísmo corporativo, o desperdício de dinheiro público, o pouco caso com a independência funcional dos juízes, a preguiça premiada, a burocratização, a demagogia e a falta de decoro - são estes velhos males que a Reforma do Judiciário tem contribuído para reforçar".

Sindicalização da magistratura

- Denunciou com palavras fortes a sindicalização da magistratura.

- "O exercício de mandato classista, em associações privadas de juízes, foi vulgarizado e também justificou milhares de faltas ao serviço. Ninguém sabe quantas são as associações de juízes. Como foi ampliado o número de entidades ou de seus diretores.

- Muitas destas associações de juízes passaram a atuar como verdadeiros sindicatos, prática vedada aos magistrados, agentes do poder estatal."

Quatro conselhos

- "Somados os quatro conselhos de Justiça, o Brasil deve ter um dos maiores e mais caros sistemas de controle e fiscalização judiciária do mundo. Com tal fragmentação, os órgãos são necessariamente disfuncionais. As decisões são contraditórias e inconciliáveis. A composição dos conselhos é vulnerável ao corporativismo."

"Seu Lunga"

Por insistentes pedidos, "Seu Lunga" faz uma visita à coluna. Respostas do mestre a perguntas idiotas

1. De olhos fechados, na cama, ele se depara com a pergunta da mulher: Você tá dormindo?

- Não, tô treinando pra morrer!

2. Seu Lunga leva um aparelho eletrônico para manutenção e o técnico pergunta:

- Tá com defeito?

- Não, é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.

3. Está chovendo e aí a pessoa pergunta para Seu Lunga:

- Vai sair nessa chuva?

- Não, vou sair na próxima.

4. Seu Lunga acabou de levantar, aí a mulher pergunta:

- Acordou?

- Não. Estou sonâmbulo!

5. Um amigo liga para a casa do Seu Lunga e pergunta:

- Onde você está?

- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!

Porandubas Políticas nº 543

Avaliação do Usuário

por Gaudêncio Torquato.

 

Abro a coluna com o confessionário de padre Elesbão.

 

Contar pecados

Numa cidadezinha de Minas, Padre Elesbão estava esgotado de tanto ouvir pecados, ou, como dizia, besteiras. Decidiu moralizar o confessionário. Afixou um papelão na porta da Igreja, dizendo:

O Vigário só confessará:

2ª-feira – As casadas que namoram

3ª-feira – As viúvas desonestas

4ª-feira – As donzelas levianas

5ª-feira – As adúlteras

6ª-feira – As falsas virgens

Sábado – As "mulheres da vida"

Domingo – As velhas mexeriqueiras

O confessionário ficou vazio. Padre Elesbão só assim pode levar vida folgada. Gabava-se:

– Freguesia boa é a minha! Mulher lá só se confessa na hora da morte!

(Leonardo Mota em seu livro Sertão Alegre)

 

Parte I – Pequena reflexão

Fake news

As Redes Sociais expandem as notícias falsas. Na semana passada, este consultor foi vítima de uma delas: a que dava conta de um suposto alinhamento da TV Globo com Lula e o PT, mensagem em um áudio falso atribuído ao diretor do Fantástico, Luiz Nascimento. Que, em boa hora, fez enérgico desmentido.

Fonte crível

A fonte que me enviou o áudio é crível. Ele teria recebido a mensagem de um amigo da própria TV Globo. Por isso, caí na rede falsa, mesmo levando em consideração o absurdo: um grupo de comunicação, cuja família proprietária é considerada trincheira avançada do ideário liberal e do mundo dos negócios privados fazendo aliança com Lula, o ícone das esquerdas? Inimaginável.

A falsidade

O fato é que as redes carecem de instrumentos para conter a teia de maldades, mentiras, calúnias e difamação. Constato em um estudo feito por um grupo da Associação de Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo, em texto assinado pelo jornalista Alexandre Aprá, diretor do blog Isso é Notícia, que há um conjunto de sites especializados nessas tramoias. Urge denunciar a malandragem escondida nesses biombos eletrônicos, alguns bem remunerados por grupos, setores e frentes políticas. A quem serve essa teia criminosa?

Estado-Espetáculo

Este consultor joga a primeira hipótese sobre o adensamento das fake news: elas são produto do Estado-Espetáculo. Que é a passarela para atores de todos os tipos – política, negócios, artes e entretenimento – alcançarem visibilidade e fama. Esses perfis se esforçam para aparecer e viabilizar seus interesses, objetivando alçar voo e chegar ao Olimpo da cultura de massas.

O Olimpo

Na figura de Edgar Morin, o Olimpo é o habitat de celebridades de todos os tipos – reis, rainhas, jogadores de futebol, artistas e, claro, políticos – com seus adornos de divindades. Nós, que habitamos o duro terreno dos mortais, corremos ansiosos para abraçar os olimpianos, fazer com eles selfies e exibi-las nas redes, mostrando nossa aproximação com eles. Exageros, mentiras e falsidades são produto do Estado-Espetáculo, que é também o Estado-Midiático.

O prazer do escândalo

O fato negativo exerce intensa atração. A carga de conflitos que carrega dispara mecanismos de aproximação e engajamento. Desperta curiosidade, principalmente quando o teor informativo aparece coberto pelo manto do escândalo. Quando os protagonistas são pessoas ou entidades de renome, o poder de atrair a atenção e o interesse dos receptores é bem maior. Esta é a segunda hipótese para explicar o acolhimento de falsas notícias.

Ser de oposição

O fato negativo gera mais impacto que o fato positivo. A Bolsa de Valores despencou 20 pontos. O baque afeta meio mundo. Ontem, ultrapassou a casa dos 70 mil pontos na esteira do anúncio de que a Eletrobrás poderá ser privatizada. O impacto é menor. As fake news pertencem ao campo negativo. No jornalismo também é assim. Corroborando a lição do saudoso Millôr Fernandes: "jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados".

A banalização do mal

Na moldura tecnológica dos meios de comunicação, as redes eletrônicas ganham projeção graças a princípios e vetores que as caracterizam: propiciam tempestividade às informações transmitidas, de modo que o universo receptor tem acesso imediato às mensagens; garantem visibilidade aos autores e fontes; inserem seus criadores no Olimpo da cultura de massas, conferindo-lhes a aura da fama e o pedestal da visibilidade.

Insensibilização

Todos esses fenômenos ocorrem em um ambiente social locupletado de denúncias e maldades. Quer dizer, o meio e o tempo/circunstâncias alavancam a proliferação de falsidades. O mal é coisa corriqueira, tão comum, tão rotineiro que deixa os receptores insensíveis aos danos que provoca. As pessoas são cobertas por uma camada impermeável, que acaba amortecendo o impacto das maldades.

Aspiração de ser o primeiro

O sonho de povoar o Olimpo da cultura de massas, com informações bombásticas que gerem estupor, impacto, abalos, confere às fontes de notas falsas singular identidade: o status de "primeiros" do ranking informativo das redes. O escândalo, o inusitado, o pitoresco, a notícia que causa espanto contribuem para marcar as fontes com a identidade de pioneirismo, da "pessoa que sabe tudo", ponta de lança da teia comunicativa das redes.

Alternativas de combate

A malha de situações acima pode explicar em parte o fenômeno das fake news, mas não as justifica. Urge combatê-las de frente. Como? Denunciando falsidades; exigindo rápidas providências dos acolhedores tecnológicos para retirá-las das redes; fazendo intensa articulação junto aos usuários para não servirem de meios de passagem de conteúdo falso; conferindo a natureza e a origem das informações, a partir da identificação das mensagens originais e seus balões de ar putrefato.

Aqui e alhures

As fake news não prosperam apenas por nossas bandas. Na campanha eleitoral norte-americana, alimentaram o noticiário contra Hillary Clinton, tendo um "mentiroso", um jovem de 22 anos, ganhado milhares de dólares com a criação de um site para difamar a candidata democrata. O próprio Trump é conhecido pelas fake news que fabrica. De acordo com uma pesquisa realizada pelo PolitiFact, desde que anunciou sua candidatura à presidência, em junho de 2015, 69% das declarações de Trump foram falsas, e apenas 4% completamente verdadeiras. Como presidente, Trump teve suas falas ainda mais analisadas. Tem sido farta a pauta de notícias falsas nos 100 dias de seu governo.

Coisa velha

Notícia falsa, em suma, é coisa muito antiga. Ainda no século VI a.C, o historiador Procópio espalhava notícias falsas em Roma sobre o Imperador Justiniano. Juntou essas notícias secretamente num volume chamado Anedocta, que só permitiu ser conhecido após sua morte. É o que conta o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva em artigo (Pós-Fato) na revista de Jornalismo ESPM (Edição Brasileira da Columbia Journalism Review), edição de jan/junho deste ano.

Pasquim

O escritor Pietro Aretino tentou manipular a eleição do papa que sucederia Leão X em 1522. Não adiantou, narra Carlos Eduardo, pois o escolhido foi Adriano VI, e não Giulio de Medici, para quem Aretino trabalhava. Aretino colava suas informações falsas sob o busto de um personagem conhecido como Pasquino na praça Navona, daí derivando "pasquim" como veículo de informações falsas ou sensacionalistas. Mais tarde vieram os canards na França, os tablóides na Inglaterra e os jornais sensacionalistas em todos os países, incluindo o Brasil. Enfim, manipulação dos fatos é coisa velha

 

Parte II – Análise da conjuntura

Normalização

Espraia-se o sentimento de que nuvens estão se dissipando e deixando ver horizontes mais limpos. O pior já teria passado. Novas denúncias por parte do PGR contra o presidente Michel Temer não teriam o impacto obtido pela primeira. A indústria dá sinais de alento. A inflação tende a chegar aos 3,5%. A taxa Selic deverá beirar os 7,5% ao final do ano. O PIB deve crescer 0,34 e 2% em 2018. A liberação das contas inativas do FGTS e a safra agrícola recorde impulsionam a reação do mercado. Crescem vendas no varejo e o faturamento do setor de serviços sobe.

Régua de 0 a 100

Minha régua de 0 a 100 marca os seguintes números para as reformas:

Reforma Política

- Fundo partidário de R$ 3,6 bilhões – 20

- Fundo partidário de R$ 2 bilhões – 60

- Cláusula de barreira com 1,5% dos votos nacionais para deputados Federais – 80

- Distritão – 60

-Semi-Distritão – Voto majoritário e voto contado para a legenda – 70

- Fim das coligações proporcionais – 90

- Parlamentarismo - 30

Panorama eleitoral

João Doria saiu na frente com sua arrancada de viagens pelo Nordeste, Sul e Sudeste. Lula elege como foco o Nordeste. Passará por um bloco de grandes e médias cidades. Sua estratégia é comer pelas bordas. Das margens para o centro. Ciro Gomes começa a engrossar a voz. Marina está quase desaparecida. Bolsonaro é uma metralhadora ambulante. Atira para todos os lados. Mas seus tiros não são de longo alcance. Têm efeito limitado. Alckmin está contido. Espera o amanhã. Muito comedido, não quer apressar o passo.

França em São Paulo

Marcio França, o vice-governador de São Paulo, começa a articular apoios. Quer ser o candidato de Alckmin (PSDB) e de outros partidos de centro ao governo. Tem razão em acreditar que João Doria não disputará o cargo. João só tem interesse pela candidatura presidencial. É isso mesmo que ele pretende. Se não conseguir ser candidato a presidente, será o principal cabo eleitoral de Alckmin. Ou toparia sair candidato por outro partido? O tempo e suas circunstâncias darão a resposta.

Skaf fora

É possível que Paulo Skaf, presidente reeleito mais uma vez para presidir a FIESP, queira ser novamente candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB. Se não houver nome mais denso, poderá ser ele. Mas seu passo será curto. Skaf não tem jeito para a política partidária. Faltam-lhe feeling, tino, capacidade de ver o amanhã.

Marta

Marta Suplicy é sempre um perfil à disposição. Poderá ser o trunfo do PMDB para São Paulo. Tem bom recall.

Fecho a coluna com os conselhos do grande filósofo alemão, Arthur Schopenhauer.

Schopenhauer

Quer convencer alguém? Eis alguns estratagemas dos 38 que ele apresenta em A Arte de Ter Razão.

Nº 1. Leve a proposição do seu oponente além dos seus limites naturais; exagere-a. Quanto mais geral a declaração do seu oponente se torna, mais objeções você pode encontrar contra ela.

Nº 2. Use significados diferentes das palavras do seu oponente para refutar a argumentação dele. Exemplo: a pessoa diz: "Você não entende os mistérios da filosofia de Kant". A pessoa B replica: "Ah, se é de mistérios que estamos falando, não tenho como participar dessa conversa".

Nº 3. Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-se a alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-a num sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito.

Nº 4. Oculte a sua conclusão do seu oponente até o último momento. Semeie suas premissas aqui e ali durante a conversa. Faça com que o seu oponente concorde com elas em nenhuma ordem definida. Por essa rota oblíqua você oculta o seu objetivo até que tenha obtido do oponente todas as admissões necessárias para atingir o seu objetivo.

Nº 5. Use as crenças do seu oponente contra ele. Se o seu oponente recusa-se a aceitar as suas premissas, use as próprias premissas dele em seu favor. Por exemplo, se o seu oponente é membro de uma organização ou seita religiosa a que você não pertence, você pode empregar as opiniões declaradas desse grupo contra o oponente.