Você faz fofoca no trabalho? O mal de se falar mal

Avaliação do Usuário
PiorMelhor 

Um famoso conto do escritor Machado de Assis, “Quem conta um conto”, aborda algo que todos conhecemos. Depois de repassar uma história mentirosa, um homem é obrigado por outro, tio da ofendida, a revelar a origem do boato, que também se mostra falsa. Os dois vão percorrendo de trás para diante a fofoca, perguntando a cada nova fonte o que sabiam e de quem soube.

Quase um século e meio depois de publicado o conto, a fofoca continua um dos fenômenos sociais mais praticados. O psicólogo e antropólogo Robin Dunbar, por exemplo, montou um experimento para saber sobre o que os participantes conversavam no dia a dia. Descobriu que dois em três assuntos eram sobre outras pessoas.

É um processo desagradável em geral, muito mais para quem é o alvo da fofoca, mas, como aponta outro estudo, dos economistas Travis Grosser, Virginie Lopez-Kidwell e Giuseppe Labianca, existe um ambiente onde o dano é maior.

No local de trabalho, a fofoca pode arruinar a cooperação, provocar discórdia, fazer fracassar objetivos. Muitas empresas certamente estão prontas a confirmar que a fofoca derruba a produtividade e a moral da equipe, com prejuízos nos balanços.

Mas se a fofoca é tão destrutiva, por que é tão desenfreada no trabalho?

Porque muitos, além de colegas de trabalho, desenvolvem laços de amizade ou pelo menos de proximidade. O tipo de relação existente entre os empregados, assim como a estrutura da empresa, determina como uma fofoca vai se propagar, segundo o trabalho dos três economistas, publicado em 2010 no Group & Organization Management.

Ter muitos amigos no trabalho aumenta principalmente a transmissão de informação negativa, sugere o estudo. Ao entrevistar 30 funcionários de uma empresa de alimentos para animais, os pesquisadores descobriram que quanto maior a proximidade, maior a tendência daquele amigo vir contar alguma história escabrosa sobre alguém ou mesmo sobre o trabalho.

Já pessoas que trabalhavam juntas, mas eram menos amigas, costumavam compartilhar apenas informações positivas. E se eram apenas conhecidas, isto é, embora trabalhassem na mesma empresa, não eram colegas de setor, nem amigos, elas não compartilhavam informação, positiva ou negativa.

O artigo não é o único a ligar amizade e fofoca no trabalho. Entrevistados pelo economista Tekin Akgeyik, da Universidade de Istambul, 424 trabalhadores turcos tinham na maioria uma opinião favorável a fofocar. Sete em cada 10 deles disseram que contar alguma novidade é uma boa forma de conhecer algum colega e também de fazer amizades.

Na Europa da Idade Média, a fofoca era um problema tão grave que por 400 anos a Inglaterra tinha leis e punições severas para quem passa boatos adiante. Algumas empresas, em casos extremos, aplicam a versão moderna destas medidas drásticas – a demissão.

Mas o estudo de Grosser, Lopez-Kidwell e Labianca sugere que o próprio ambiente profissional pune os fofoqueiros. Eles acumulam algum prestígio quando “sabem das coisas”, mas tanto os chefes como os colegas não veem com bons olhos o comportamento . Em eventuais cortes, fofocar pode colocar alguém, mesmo competente, na lista de demissão. É como diz um ditado, morrer pela boca.

Fonte: G1

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar