Cuba faz ofensiva a empresários

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Estreante na Cúpula das Américas, Cuba está aproveitando a sétima edição do evento - que ocorre a partir desta sexta-feira na Cidade do Panamá - para tentar atrair investimentos de grandes empresas e promover as oportunidades econômicas que se abrem com sua reaproximação com os Estados Unidos.

 

Chefiada pelo ministro cubano do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca, a ofensiva tem como palco a cúpula de empresários que antecede o encontro entre chefes de Estado, no sábado.


Em discurso a presidentes de empresas no hotel Riu Plaza Panamá na última quinta-feira, Malmiera disse que Cuba vive uma "nova fase" no cenário econômico mundial.


"Nesta nova etapa, ampliamos nossa visão sobre o papel do investimento estrangeiro, reconhecendo-o como um elemento ativo e fundamental para o crescimento de determinados setores e atividades econômicas", afirmou o ministro.


Segundo ele, Cuba precisa de US$ 2,5 bilhões (R$ 7,6 bilhões) de investimentos estrangeiros para estimular um crescimento "que resulte em desenvolvimento, prosperidade e sustentabilidade para o nosso projeto socialista."

 

Para atrair esses recursos, ele diz que o Parlamento cubano aprovou recentemente um novo marco regulatório "que oferece garantias e incentivos aos investidores estrangeiros, estabelece regras claras e maior transparência".


O ministro afirmou ainda que delegações de empresários americanos que visitaram Cuba recentemente constataram as possibilidades criadas pela reaproximação com os Estados Unidos.


Turismo


Malmiera falou à frente de uma projeção da praça da Catedral, uma das principais atrações turísticas de Havana. Ele apresentou o turismo como um dos setores mais promissores da economia do país e defendeu que os Estados Unidos ponham fim a "proibições absurdas", como a limitação a viagens de americanos a Cuba.


O governo cubano estima que, com o fim das restrições, mais de 1 milhão de americanos passem a visitar a ilha caribenha anualmente.


Durante a fala do ministro, o salão tinha a maioria de suas centenas de cadeiras ocupadas.


Terminado o discurso, ele recebeu aplausos discretos e, diferentemente de outras autoridades que haviam discursado antes, deixou o palco sem responder a perguntas.


A presença do ministro frustrou alguns empresários presentes. Até a véspera do evento, especulava-se que o presidente Raúl Castro pudesse falar em seu lugar.


Mesmo assim, a mensagem ressoou bem entre o público. Para José Antonio Llorente, sócio-fundador da Llorente & Cuenca - consultoria de comunicação presente em 11 países e que tem entre seus clientes Repsol e Toyota - o discurso foi "muito construtivo".


"Não foi uma fala beligerante, como estávamos acostumados; ele não veio aqui vender a revolução", diz Llorente.


Interesse


Segundo ele, alguns de seus clientes estão muito interessados em fazer negócios em Cuba.


"Poucos mercados no mundo são tão fechados como Cuba, e quando uma companhia já está presente no mundo todo, essa é uma das melhores possibilidades para crescer".
Resta saber, diz ele, se "os fatos darão continuidade às palavras", ou seja, se Cuba de fato facilitará a vida dos investidores.


Carlos Cerdas, presidente da construtora costa-riquenha Meco, disse ter interesse em investir em Cuba (sua companhia já atua na Colômbia e em boa parte da América Central), mas afirma que analisará as novas condições oferecidas.


Ele se diz cauteloso com as regras fiscais, laborais e para introdução de máquinas em Cuba.


Presidente do Business Council of Latin America (Ceal), Ingo Plöger diz que há dois setores que oferecem oportunidades mais imediatas a investidores estrangeiros: turismo e a indústria de alimentos (Cuba importa boa parte de sua comida).


Outra aposta cubana que pode se mostrar vantajosa a empresários, segundo ele, é o complexo industrial do porto de Mariel. A reforma do porto, financiada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), foi executada pela empreiteira brasileira Odebrecht.


O Brasil, no entanto, tem tido participação discreta na cúpula dos empresários. Poucas companhias nacionais estavam presentes durante a fala do ministro, e apenas duas foram convidadas a integrar mesas de debates ao longo do evento: a Odebrecht e a empresa de tecnologia Stefanini.


Oportunidades de negócios


Na manhã de quinta-feira, a delegação cubana espalhou pelos corredores do hotel uma série de folhetos e catálogos listando oportunidades de negócio em Cuba.


Em reunião privada após o discurso, Malmierca entregou os catálogos a empresários americanos e representantes da Câmara de Comércio dos Estados Unidos.


Participantes do encontro disseram que ele serviu para que cubanos e americanos trocassem informações sobre o estado das relações entre os países, impulsionadas pelo anúncio da retomada dos laços diplomáticos entre Havana e Washington em dezembro.

 

Apesar da reaproximação, o principal obstáculo entre os dois países segue em vigor, o embargo econômico americano à ilha.


O presidente americano, Barack Obama, já defendeu o fim do bloqueio, mas a medida depende do Congresso, hoje dominado pela oposição.


Em seu discurso aos empresários, Malmierca cobrou os legisladores americanos a derrubar o bloqueio e exortou Obama a usar sua autoridade presidencial para "modificar outros aspectos do embargo que não requerem aprovação do Congresso".


Os temas deverão voltar a ser tratados entre cubanos e americanos até o fim da cúpula. Na noite de quinta-feira, o secretário de Estado americano, John Kerry, se encontrou com o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodriguez, na reunião de mais alto nível entre representantes dos dois países em mais de meio século.


Para este sábado está previsto um encontro entre os líderes de Cuba e EUA - Raúl Castro e Barack Obama - durante um intervalo das negociações entre os presidentes dos países que participam da cúpula.

 

 

por João Fellet
Enviado especial da BBC Brasil à Cidade do Panamá

 

 

 

Cúpula das Américas começa com cumprimento entre Obama e Castro

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Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, se cumprimentaram no Panamá na noite desta sexta-feira, num momento em que os dois países se preparam para uma reunião histórica e tentam reatar seus laços diplomáticos.


O encontro ocorreu durante a Cúpula das Américas, da qual Cuba participa pela primeira vez.


Foto divulgada pelo governo peruano mostra os dois líderes conversando ao lado do presidente equatoriano, Rafael Correa, na cerimônia de abertura da cúpula.


Um porta-voz da Casa Branca descreveu o encontro como "informal", sem que tenha havido "uma conversa substancial entre os dois líderes". Os dois presidentes já haviam estado juntos em dezembro de 2013, no funeral de Nelson Mandela, na África do Sul.


Em discurso também nesta sexta, Obama afirmou que "já se acabaram os dias em que nossa agenda no hemisfério davam por certo que os EUA poderiam se intrometer impunemente (na América Latina)".


Obama e Castro se encontrarão amanhã, para a primeira reunião formal de um presidente em exercício americano com um par cubano desde que Dwight Eisenhower se sentou com Fulgencio Batista em 1958. Daí o caráter histórico do encontro.


Obama afirmou que os EUA estão abrindo um novo capítulo em suas relações com Cuba.


"Esperamos criar um ambiente que melhore a vida do povo cubano", disse o americano. "Não porque isso seja imposto por nós, os EUA, mas através do talento, da engenhosidade e das aspirações (cubanas)."


A reaproximação histórica entre os dois rivais deve dominar as atenções na Cúpula das Américas, quatro meses depois de Washington e Havana terem anunciado os primeiros passos da dos esforços para reatar laços diplomáticos e comerciais.

 


BBC Brasil
Legenda: Reaproximação entre os dois países dominará as atenções da Cúpula das Américas

 

 

 

O Congresso dos EUA pode sabotar o acordo nuclear com o Irã?

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Integrantes da Casa Branca estão animados com as perspectivas do novo acordo nuclear entre as potências ocidentais e o Irã. Já os republicanos no Congresso continuam céticos.


O Irã e outros seis países – Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha - chegaram a um acordo preliminar sobre uma série de parâmetros para conter o programa nuclear do Irã.


Esses parâmetros devem ser a base para um acordo mais duradouro, que, espera-se, seja fechado em 30 de junho.

 

Obama classificou os parâmetros como “históricos”. Se o acordo der certo, será um marco na política externa. Mas, primeiramente, o acordo tem de vencer essa resistência em Washington.


“Se o Congresso matar esse acordo sem se basear em análises de especialistas e sem oferecer alternativas razoáveis, os Estados Unidos serão culpados pelo fracasso da diplomacia”, disse Obama.


Atraso


Joseph DeThomas, um ex-conselheiro do Departamento de Estado dos EUA, o Congresso “tem várias maneiras para barrar esse acordo”.

 

Segundo ele, membros do Congresso podem organizar audiências, chamar testemunhas para falar sobre os perigos do acordo, falhas na estratégia, e, de alguma maneira, “constranger o governo”.


Membros do Congresso também podem se recusar a liberar os fundos necessários para que o acordo seja colocado em prática. E isso poderia atrasar – ou mesmo barrar totalmente – o acordo.


Uma decisão dos congressistas sobre a continuação ou não das sanções contra o Irã também podem afetar o pacto.


Obama defende que as sanções sejam suspensas, mas alguns parlamentares colocaram em xeque a posição do presidente.


Para Zahary Goldman, da Escola de Direito da NYU (New York University), é possível que alguns membros do Congresso decidam a favor de novas sanções. Obama já havia dito que vetaria essa decisão.


'Farsa'


Segundo Goldman, seria uma aposta difícil dos parlamentares, já que seria preciso o apoio de dois terços tanto do Senado quando da Câmara para superar um veto presidencial. Tanto o Senado como a Câmara têm maioria republicana, mas mesmo assim eles precisariam de votos democratas.


O senador republicano Marco Rubio, da Flórida, atacou o acordo. “Essa é uma tentativa de transformar um fracasso diplomático em um caso de sucesso. E é apenas mais um exemplo da farsa que é a maneira que o governo lida com o Irã.”


O governador de Winsconsin, o republicano de Scott Walker, que tem aspirações para concorrer à presidência em 2016, disse que vai invalidar qualquer acordo com o Irã, caso seja eleito.


Para o ex-conselheiro DeThomas, um acordo com o Irã tem se tornado um teste de lealdade para os republicanos.


O democrata Gerald Connolly disse que muitos republicanos já haviam decidido se opor ao pacto com o Irã mesmo antes de analisar os parâmetros discutidos. “É uma postura cínica.”


Para DeThomas, essa atmosfera política poderia acabar inviabilizando o acordo. Ele disse que isso o surpreenderia se ocorresse, mas afirma que recentemente membros do Congresso tomaram passos “pouco comuns” no que diz respeito ao Irã.


Entre os exemplos está o convite ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, para discursar no Congresso e uma carta enviada por republicanos a líderes do Irã, dizendo que o próximo president poderia revogar promessas feitas pelo atual governo.


Se o Congresso conseguir invalidar o veto de Obama e impôr sanções mais duras ao Irã, as consequências seriam amplas.


“O que você acha que outras potências no mundo diriam? Seriam todos contra os Estados Unidos”, disse DeThomas.


Já Goldaman disse: “Colocar mais sanções seria algo destrutivo. Mas o processo de negociação ainda não chegou ao fim.”

 

E a polêmica também não.

 

Congressistas vão deixar ainda mais claro suas opiniões nas próximas semanas – e as negociações vão continuar nos próximos meses.

 


Tara McKelvey
Da BBC News em Washington

Legenda:Atmosfera política dos EUA poderia acabar inviabilizando o acordo costurado por potências mundiais

 

 

 

Brasileiros ficaram ilhados no Atacama após escalada ao vulcão mais alto do mundo

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Uma equipe de 11 brasileiros 4 argentinos e 1 húngaro que escalaram o Ojos del Salado, o vulcão mais alto do mundo no Chile, ficou presa na cidade de Copiapó, em meio ao deserto do Atacama, após fortes chuvas e enchente catastrófica que devastou a cidade.

 

Pode parecer incrível, mas uma forte chuva seguida de uma devastadora enchente em pleno deserto de Atacama deixou ilhada uma expedição brasileira que dias antes logrou fazer cume no vulcão em atividade mais alto do mundo, o Ojos del Salado.

A expedição, levada a cabo pelo famoso guia de montanha Maximo Kausch, teve que ficar 2 dias no hotel quase sem comunicação, racionando água e comida. O grupo que havia enfrentado e vencido grandes dificuldades na montanha, foi surpreendido pela tragédia da cheia do rio Copiapó, a pior em mais de 18 anos.

Fenômeno raro

É muito raro chover no Atacama, que é considerado o deserto mais seco do mundo e ainda mais da maneira que ocorreu a tragédia. Uma forte massa de ar úmida e quente invadiu o Chile vindo do mar e ocorreu uma grande precipitação nas montanhas da região, onde é normal nevar. A água escoou rapidamente pelo vale do rio Copiapó e ganhou velocidade a ponto de destruir pontes, levar carros e até caminhões. Ao chegar ao sitio urbano de Copiapó, a água se espraiou e invadiu todas as ruas do centro da cidade, arrastando tudo o que encontrava pela frente e causando grande destruição.

A rua do hotel onde ficaram os brasileiros foi uma das atingidas. Eles contam que durante a chuva, viram de tudo sendo levado pela correnteza, até um corpo. As águas depositaram uma lama que tomou conta da cidade, chegando em alguns pontos a um metro de profundidade.

Mesmo depois das chuvas, as águas continuaram a escorrer pelas ruas e a dificuldade foi conseguir sair dali. O grupo precisou de caminhonetes 4x4 para conseguir passar pela lama e chegar ao aeroporto, de onde foram evacuados. Três guias, incluindo Maximo Kausch, ficaram na cidade mais um dia e saíram depois num jipe rumo a cidade argentina de Mendoza.

Maximo conta que a cidade ficou totalmente destruída e que quando ele conseguiu sair dali em jipe, ele viu o exercito vigiando mercados e casas, para que as mesmas não fossem saqueadas. Já faltavam alimentos, água e luz na cidade. Apesar do susto, todos os clientes já chegaram em casa e passam bem. Maximo continuará guiando o Ojos del Salado todos os anos, pois diz que a tragédia enfrentada pelo grupo foi um episódio raro.


Mais montanhistas ficam ilhados após temporal no Atacama

 

Um grupo de argentinos ficou isolado no LLullaillaco, a sétima montanha mais alta dos Andes e um indiano está desaparecido após temporal que atingiu o Atacama e provocou inundações em Copiapó e Chañaral.

 

As chuvas que atingiram o deserto do Atacama na semana passada foram as piores em 18 anos. Elas provocaram enchentes que arrasaram cidades importantes, como Chañaral e Copiapó. Em Copiapó, que é a cidade base para a escalada do Ojos del Salado, que é a segunda montanha mais alta dos Andes e o vulcão mais alto do mundo, havia um grupo de brasileiros, guiados por Maximo Kausch, da Agência GenteDeMontanha, que recentemente haviam escalado nos Andes e passaram dois dias ilhados no hotel.

Pior foram as pessoas que estavam nas montanhas e não conseguiram retornar às cidades. Foi o que aconteceu com um grupo de 15 argentinos no Llullaillaco, sétima montanha mais alta dos Andes e famosa por ter sido achado em seu cume 3 crianças incas em perfeito estado de conservação.

Os argentinos foram impedidos de ir ao cume e também de retornar à suas casas. Uma equipe da Gendermaria tentou realizar o resgate por terra em caminhonetes, mas havia tanta neve que não conseguiram se aproximar da montanha.

O pior caso foi do indiano Malli Mastan Babu, um dos melhores montanhas de seu país e que está desaparecido após as nevascas. As autoridades não sabem onde ele está. A montanhista alemã Isabel Suppé, em contato com o AltaMontanha, avisou que viu sua assinatura e uma bandeira da índia no cume do Bonete Chico, quarta montanha mais alta dos Andes localizada em La Rioja, Argentina. Ela também encontrou e jantou com ele 3 semanas atrás, quando ela também fez cume no Ojos del Salado.

 

 

AltaMontanha.com

Foto: GentedeMontanha (Centro de Copiapó devastado pela enchente)

 

 

Promotoria francesa diz que copiloto teria derrubado avião deliberadamente

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Aeronave da Germanwings caiu nos alpes franceses com 150 pessoas.
Segundo autoridades, copiloto não estava em lista de suspeitos de terrorismo.


A Promotoria francesa disse nesta quinta-feira (26) que o copiloto do avião da Germanwings que caiu na terça-feira (24) nos alpes franceses assumiu o controle da aeronave e teria derrubado o avião de maneira deliberada. Segundo a autoridade, ele estava respirando normalmente até o momento em que a aeronave bateu nas montanhas.


"Nenhuma mensagem de socorro ou urgência foi recebida por controladores de tráfego aéreo e nenhuma resposta foi dada a todas as chamadas dos vários controladores de tráfego aéreo", disse o promotor Brice Robin. "A interpretação mais plausível para nós é que o copiloto, por uma abstenção voluntária, se recusou a abrir a porta da cabine para o capitão e acionou o botão para perda de altitude." Robin afirmou que "o comportamento do copiloto pode ser analisado como uma vontade de destruir o avião".

 

O copiloto foi identificado como Andreas Lubitz, de 28 anos, de nacionalidade alemã. Segundo o jornal "Bild", ele seria de Montabaur, em Rhineland-Palatinate, na Alemanha. Ele não estava em lista de suspeitos de terrorismo, e por enquanto não há base para afirmar que tenha sido um incidente terrorista.


O promotor de Marselha, Brice Robin, afirmou em uma entrevista coletiva que os registros de áudio mostram que o piloto deixou a cabine e que o copiloto se recusou a abrir a porta para a volta do tripulante.


Robin também afirmou que o copiloto acionou o mecanismo de descida do avião de maneira voluntária quando estava sozinho na cabine. Não houve alerta de emergência vindo do avião, segundo o promotor.

 

Ainda de acordo com Robin, os sons da caixa-preta dão a entender que Andreas Lubitz estava bem e não parecia ter sofrido nenhum problema de saúde, como um AVC. Ele disse que só nos últimos minutos da gravação se ouvem gritos dos passageiros.


Segundo o promotor, durante os primeiros 20 minutos de voo, há uma troca de cortesias e até mesmo brincadeiras entre o piloto e o copiloto.


Quando o piloto começa a preparar o procedimento para a aterrissagem em Dusseldorf (Alemanha), o copiloto se mostrou mais "lacônico".


Depois que o comandante sai da cabine, o copiloto fica sozinho até o momento da queda.


"Por vontade própria, ele se negou a abrir a porta da cabine para o comandante", enfatizou.


"Ele não tinha nenhuma razão para impedir a volta do comandante ao cockpit", contou ainda Robin, acrescentando que o piloto pediu várias vezes acesso à cabine, sem obter resposta do copiloto.

 

Sozinho na cabine, o copiloto "pressionou o botão de perda de altitude por uma razão que não fazemos nenhuma ideia, mas que pode ser visto como um desejo de destruir a aeronave", afirmou.

 

Com os dados que a investigação tem até agora, não se pode falar de suicídio, segundo o promotor, que reforçou que todas as informações são preliminares e que as investigações continuam.


De acordo com Robin, a análise da caixa-preta de dados irá ajudar os investigadores a entender melhor o que aconteceu. Por enquanto, não há indícios de envolvimento de outras pessoas.


O ministro alemão de Transportes, Alexander Dobrindt, disse que, segundo especialistas alemães, é "plausível" que o copiloto tera deliberadamente derrubado o avião da Germanwings


Piloto teria tentado arrombar a porta


Nesta quarta, uma fonte militar próxima das investigações disse sob anonimato ao jornal “New York Times” que a gravação da caixa-preta indica que um dos pilotos teria ficado trancado para fora da cabine e não teria conseguido voltar.


A fonte disse que a gravação indica que no começo do voo os dois pilotos conversavam de maneira tranquila e que depois um deles teria saído da cabine e não teria conseguido entrar de volta.


"O homem do lado de fora bate levemente na porta da cabine e não há resposta. Depois bate mais forte e sem resposta. Nunca há uma resposta", diz a fonte. Também seria possível escutar ele tentando arrombar a porta.


Segundo a Promotoria francesa, a interpretação mais plausível dos dados obtidos até agora aponta que o copiloto deliberadamente se recusou a abrir a porta da cabine para a volta do piloto.


Lufthansa chocada


Carsten Spohr, CEO da Lufthansa, disse em entrevista coletiva após a divulgação das informações que está sem palavras com a revelação de que o copiloto teria deliberadamente derrubado o avião da Germanwings.


Segundo o CEO da Lufthansa, o copiloto Andreas Lubitz começou seu treinamento em 2008, mas o interrompeu brevemente. Ele foi comissário de bordo enquanto não podia pilotar. Ele começou a atuar como copiloto da companhia em 2013. Ele estava "100% apto para voar, sem restrições", e passou em todos os exames de pilotagem e médicos.


Spohr também disse que não tem nenhuma informação sobre o motivo que levou o copiloto Andreas Lubitz a fazer o que fez. "O que aconteceu foi um incidente trágico individual, eu gostaria de enfatizar isso", disse. "Temos altos padrões, mas um caso único como este não pode ser previsto."


Ele também explicou como funciona o acesso à cabine de comando. “Se um dos pilotos deixa a cabine, é possível chamar do lado de fora, o piloto pode olhar e ver quem quer entrar, e você pode abrir a porta controlada eletronicamente. Temos procedimentos – se o piloto saiu e o que ficou dentro está inconsciente, há um código que pode ser utilizado. Há um barulho dentro da cabine, e se ninguém abrir, a porta se abre eletronicamente. Mas a pessoa que está do lado de dentro pode impedir que a porta se abra.”

 

O que se sabe sobre a tripulação


Andreas Lubitz havia sido contratado em setembro de 2013 e tinha 630 horas de voo de experiência, informou a Lufthansa à AFP. Jornais internacionais disseram que Andreas se formou na escola de voo da Lufthansa em Bremen e obteve sua licença de voo em junho de 2010.


Ele vivia com os pais na cidade e também morava em Düsseldorf, afirmou a prefeita de Montabaur ao jornal "El País". O jornal espanhol afirmou ainda que o perfil de Andreas no Facebook foi apagado.


O promotor Brice Robin disse que não tem nenhuma informação sobre o perfil psicológico ou a filiação religiosa do copiloto.


Já o piloto do Airbus A320 tinha 10 anos de experiência e mais de 6.000 horas de voo, segundo a Germanwings. Identificado pelo jornal "Bild" como Patrick S., o piloto também era alemão.


Não explodiu


Segundo Rémi Jouty, diretor do BEA, órgão responsável pela investigação do acidente, a trajetória do avião indica que ele voou até a queda, descartando a hipótese de explosão no ar. "Isso não é a característica de um avião que explodiu em voo", disse, explicando a maneira como os destroços ficaram espalhados no terreno da queda. Ele se recusou a dizer se a tripulação estava consciente durante a queda e na hora do choque.


A última mensagem da cabine do avião para o controle de tráfego era rotineira, segundo a BEA. Um minuto depois, o avião começou a descida, que continuou até o impacto.
O radar acompanhou a aeronave até bem pouco antes do choque com a montanha. A aeronave perdeu contato com o tráfego aéreo francês quando estava a 6 mil pés de altura.


Segundo ele, é necessário comparar os dados das duas caixas-pretas para saber o que exatamente aconteceu com o avião acidentado. Isso pode levar dias, semanas ou meses. A segunda caixa-preta, que mostra dados do voo, ainda não foi encontrada.


Vítimas


As autoridades ainda não divulgaram a lista de passageiros e tripulantes embarcados no avião da Germanwings que caiu nos Alpes franceses. Porém, diante da notícia da tragédia, alguns familiares, empresas e órgãos oficiais dos países divulgaram nomes de pessoas que estavam no voo.


O Airbus A320 partiu de Barcelona, na Espanha, com destino a Düsseldorf, na Alemanha, e levava 150 pessoas – 144 passageiros e seis tripulantes.


Segundo informações da Germanwings, entre as vítimas do acidente havia 72 alemães, 35 espanhóis, 2 australianos, 2 argentinos, 2 iranianos, 2 venezuelanos, 3 americanos, 1 marroquino, 1 britânico, 1 holandês, 1 colombiano, 1 mexicano, 1 dinamarquês, 1 belga e 1 israelense.


A origem de algumas vítimas ainda é incerta, especialmente devido a casos de dupla nacionalidade. Devido à violência do acidente, as autoridades acham pouco provável encontrar sobreviventes.

 

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G1

Foto: AP  (Brice Robin, o promotor de Marselha, fala sobre investigações em coletiva de imprensa no sul da França. À direita, o general David Gaultier olha para baixo com as mãos na cabeça)
 
 
 
 
 

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