Ações de combate devem ser intensificadas em SC

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Diante do aumento de focos do Aedes aegypti, ações de combate devem ser intensificadas em SC.


Com quase metade das cidades catarinenses (141) com focos do mosquito Aedes aegypti, Santa Catarina deve intensificar as ações de combate ao mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. O Estado atingiu o recorde de municípios infestados pelo inseto - um a cada cinco estão nesta situação - e já foram registrados 9.273 focos do mosquito neste ano, aumento de 32,3% em relação ao registrado em todo o ano de 2016.

Em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira, foram anunciadas a intensificação de ações. Sem mudanças de iniciativas em relação à temporada anterior, estão previstas ações como capacitação de mais de 220 agentes em controle vetorial e vigilância e intensificação nas supervisões e assessorias aos municípios. Também estão marcadas reuniões com prefeitos, gestores de saúde e outros órgãos, além de representantes da sociedade civil, nas regiões mais críticas do Estado. A primeira reunião será Chapecó, onde se reunirão representantes de 40 municípios das regiões Oeste e Meio-Oeste de SC na próxima semana. Além disso, está prevista a estruturação de uma equipe de força-tarefa em Xanxerê, região considerada de alto risco para ocorrência de epidemias, juntamente com Chapecó, São Miguel do Oeste, Itajaí e Grande Florianópolis, devido ao alto número de municípios infestados.

Mesmo com número bem abaixo da doença neste ano - foram apenas 12 casos de dengue contra 4,3 mil no ano passado, o aumento no número de focos acende o alerta, mais uma vez, para a prevenção.

— Com o número de focos há risco maior de termos epidemia, caso tenhamos os três vírus circulando. A dengue, zika e chikungunya não são problemas só da saúde, envolve diversos outros fatores e principalmente a população — defende o diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC (Dive), Eduardo Macário.

Ele acrescenta que é fundamental intensificar as ações neste momento, porque no verão, se nada for feito, irá aumentar ainda mais o número de mosquitos Aedes aegypti.

— A principal ação é a mobilização. Neste momento ainda é possível evitar as epidemias se todos os órgãos atuarem em conjunto de forma a prevenir e eliminar os focos do mosquito.

O secretário de Saúde de SC, Vicente Caropreso, acrescenta que neste ano, como foram poucos casos da doença, as pessoas também se acomodam nos cuidados.

— Nós vamos pedir colaboração das entidades organizadas, das secretarias de saúde. Que em SC cada cidadão possa fazer o seu dever cívico, combater a dengue para que a gente se livre desse problema. As ações têm que ser solidárias e ter somatório de esforços e mudança de comportamento, coisa que não é tão fácil de acontecer.

O médico infectologista Pablo Sebastian Velho reforça que diante de poucos casos da doença, é um fenômeno natural a população deixar um pouco de lado as ações, mas é fundamental manter as iniciativas de controle de forma constante, inclusive pelo poder público:

— Sabendo do aumento do número de focos no Estado, inclusive com o aumento do número de municípios considerados infestados, o risco é grande de uma situação desfavorável a partir do verão. É importante que se reforce a consciência coletiva na busca de mais um ano sem número expressivo das doenças transmitidas pelo Aedes.

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Maior número de focos tem diversas causas

Macário explica que o fato de Santa Catarina ter tido mais focos do mosquito neste ano é resultado de diversos fatores. O inverno atípico, com temperaturas acima da média, é um deles. O outro seria a ação dos municípios, com a mudança de gestão neste ano:

— Com a mudança do quadro municipal isso pode ter gerado uma certa descontinuidade nas ações de alguns municípios — justifica o diretor.

Porém, segundo Macário, a Dive identificou esses municípios e já reforçaram a importância das ações. Neste ano, foram R$ 3,2 milhões do governo federal distribuídos a todos os municípios catarinenses para ações de combate ao mosquito. O presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Sidnei Bellé acredita que os municípios mantiveram as ações durante todo o ano, até porque os agentes de combate a endemias permaneceram os mesmos. Porém reforça a importância de intensificar as ações agora, inclusive em função do clima, propício à proliferação do mosquito.

MUNICÍPIOS INFESTADOS PELO MOSQUITO EM SC

Águas de Chapecó, Cunha Porã, Modelo, São Carlos, Águas Frias, Descanso, Mondaí, São Domingos, Anchieta, Dionísio Cerqueira, Navegantes, São José, Balneário Camboriú, Formosa do Sul, Nova Erechim, São José do Cedro, Bandeirante, Florianópolis, Nova Itaberaba, São Lourenço do Oeste, Bom Jesus, Galvão, Novo Horizonte, São Miguel do Oeste, Brusque, Guaraciaba, Palma Sola, Saudades,Caibi, Guarujá do Sul, Palmitos, Seara, Camboriú, Iporã do Oeste, Paraíso, Serra Alta, Campo Erê, Ipuaçu, Passo de Torres, Sul Brasil, Catanduvas, Itajaí, Pinhalzinho, União do Oeste, Caxambu do Sul, Itapema, Planalto Alegre, Xanxerê, Chapecó, Itapiranga, Princesa, Xaxim, Cordilheira Alta, Joinville, Porto União, Coronel Freitas, Jupiá, Quilombo, Coronel Martins, Maravilha e São Bernardino

Orientações para evitar a proliferação do mosquito

Evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usar, coloque areia até a borda
Guarde garrafas com o gargalo virado para baixo
Mantenha lixeiras tampadas
Deixe os depósitos para guardar água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água
Plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água
Trate a água da piscina com cloro e limpe uma vez por semana
Mantenha ralos fechados e desentupidos
Lave com escova os potes de comida e de água dos animais, no mínimo, uma vez por semana
Retire a água acumulada em lajes
Dê descarga no mínimo uma vez por semana em banheiros pouco usados
Mantenha fechada a tampa do vaso sanitário
Evite acumular entulho, pois podem se tornar locais de foco do mosquito da dengue
Denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a secretaria municipal de Saúde
Caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para atendimento.

 

Diário Catarinense
Legenda: Nesta semana, em Florianópolis, estão sendo distribuídos folhetos informativos no Ticen
Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense